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Aula completa — Contabilidade Aplicada à Fiscalização
O LDI apresenta os seguintes blocos: fundamentos da contabilidade, patrimônio, contas e lançamentos, livros e balancete, regimes contábeis, demonstrações contábeis, estoques, ativos, provisões, tributos e análise das demonstrações.
As normas contábeis brasileiras são emitidas pelo CFC. Os pronunciamentos do CPC adquirem força normativa quando recepcionados formalmente pelo CFC.
1. Aspectos introdutórios
1.1 O que é Contabilidade?
Contabilidade é uma ciência social aplicada que estuda, controla, registra e interpreta os fatos que alteram o patrimônio das entidades.
A definição clássica do 1º Congresso Brasileiro de Contabilidade afirma que a Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, controle e registro dos atos e fatos de uma administração econômica.
Também pode ser compreendida como um sistema de informação destinado a fornecer dados econômicos, financeiros, físicos e de produtividade aos usuários.
A Contabilidade:
- identifica os fatos;
- mensura os efeitos;
- registra as operações;
- resume os dados;
- elabora demonstrações;
- fornece informações para decisões.
A Contabilidade é uma ciência, e não apenas técnica, arte ou prática.
1.2 Divisões didáticas
A Contabilidade pode ser estudada sob diferentes enfoques:
Contabilidade financeira
Voltada principalmente para usuários externos, como:
- investidores;
- credores;
- instituições financeiras;
- fornecedores;
- governo;
- acionistas.
Contabilidade gerencial
Fornece informações internas para planejamento, controle e tomada de decisões.
Contabilidade de custos
Apura e analisa os custos de produtos, serviços e processos.
Contabilidade tributária
Estuda os efeitos contábeis e fiscais dos tributos, incluindo:
- apuração;
- planejamento tributário;
- obrigações acessórias;
- créditos tributários;
- retenções;
- fiscalização.
Contabilidade pública
Registra e evidencia os atos e fatos relacionados ao patrimônio público, orçamento, receita, despesa e responsabilidade fiscal.
Auditoria
Examina registros, controles e demonstrações para formar uma conclusão ou opinião independente.
1.3 Objeto de estudo
O objeto da Contabilidade é o patrimônio.
Patrimônio é o conjunto de:
- bens;
- direitos;
- obrigações.
O patrimônio pertence a uma entidade, que pode ser:
- pessoa física;
- pessoa jurídica;
- órgão público;
- fundação;
- associação;
- condomínio;
- entidade sem personalidade jurídica.
1.4 Campo de aplicação
A Contabilidade aplica-se a qualquer entidade que possua patrimônio ou realize operações patrimoniais.
Exemplos:
- empresas comerciais;
- indústrias;
- prestadoras de serviços;
- bancos;
- seguradoras;
- órgãos públicos;
- entidades sem fins lucrativos;
- profissionais autônomos;
- fundos;
- cooperativas.
1.5 Finalidade e usuários
A finalidade principal da Contabilidade é fornecer informações úteis para tomada de decisões.
Usuários internos
- administradores;
- gerentes;
- diretores;
- empregados;
- controladores.
Usuários externos
- investidores;
- bancos;
- fornecedores;
- clientes;
- governo;
- Receita Federal;
- municípios e estados;
- órgãos reguladores;
- sindicatos;
- sociedade.
O Fisco utiliza a contabilidade para verificar, entre outros aspectos:
- existência de receitas;
- apropriação de despesas;
- movimentação patrimonial;
- origem dos recursos;
- distribuição de lucros;
- compatibilidade entre patrimônio e renda;
- apuração de tributos.
1.6 Funções da Contabilidade
As principais funções são:
- registrar os fatos contábeis;
- controlar o patrimônio;
- demonstrar a situação patrimonial;
- orientar decisões;
- acompanhar resultados;
- fornecer informações ao Fisco;
- permitir fiscalização e auditoria.
1.7 Componentes patrimoniais
Ativo
É o conjunto de bens e direitos controlados pela entidade, dos quais se esperam benefícios econômicos futuros.
Exemplos:
- dinheiro;
- bancos;
- estoques;
- veículos;
- imóveis;
- máquinas;
- clientes;
- aplicações financeiras;
- tributos a recuperar.
Passivo
É o conjunto de obrigações presentes da entidade.
Exemplos:
- fornecedores;
- empréstimos;
- salários a pagar;
- tributos a recolher;
- financiamentos;
- provisões.
Patrimônio Líquido
Representa os recursos próprios da entidade.
Fórmula:
PL = Ativo − Passivo
Também:
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
O patrimônio líquido pode ser composto por:
- capital social;
- reservas de capital;
- ajustes de avaliação patrimonial;
- reservas de lucros;
- ações em tesouraria;
- prejuízos acumulados;
- outros resultados abrangentes.
1.8 Técnicas contábeis
As principais técnicas são:
Escrituração
Registro dos fatos contábeis nos livros e sistemas.
Demonstrações contábeis
Exposição resumida e organizada das informações contábeis.
Análise das demonstrações
Interpretação dos dados por meio de índices e comparações.
Auditoria
Verificação da correção e confiabilidade dos registros e demonstrações.
1.9 Base legal
A Lei nº 6.404/1976 disciplina a escrituração e as demonstrações das sociedades por ações.
O art. 176 prevê, ao final do exercício social:
- balanço patrimonial;
- demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
- demonstração do resultado do exercício;
- demonstração dos fluxos de caixa;
- demonstração do valor adicionado, para companhia aberta.
As demonstrações devem ser complementadas por notas explicativas.
Atualmente, a legislação societária deve ser interpretada conjuntamente com:
- normas do CFC;
- pronunciamentos do CPC;
- normas da CVM;
- legislação tributária;
- regras específicas do setor.
1.10 Princípio da entidade
O patrimônio da entidade não se confunde com o patrimônio dos sócios, administradores ou proprietários.
Exemplo:
O pagamento de uma despesa pessoal do sócio com dinheiro da empresa não deve ser tratado automaticamente como despesa empresarial.
Essa separação é fundamental para a fiscalização, pois impede:
- confusão patrimonial;
- ocultação de receitas;
- pagamento de despesas pessoais como despesas da empresa;
- distribuição disfarçada de lucros.
2. Estática patrimonial, situações líquidas, atos e fatos
2.1 Estática patrimonial
A estática patrimonial representa a posição patrimonial da entidade em determinado momento.
É demonstrada principalmente pelo balanço patrimonial.
Exemplo:
- Ativo: R$ 500.000;
- Passivo: R$ 300.000;
- Patrimônio Líquido: R$ 200.000.
2.2 Situações líquidas
Situação líquida positiva
Ativo maior que passivo.
A > P → PL positivo
Situação líquida nula
Ativo igual ao passivo.
A = P → PL igual a zero
Situação líquida negativa
Passivo maior que ativo.
A < P → PL negativo
Também chamada de passivo a descoberto.
2.3 Atos contábeis
São acontecimentos que podem ocorrer na entidade, mas não alteram imediatamente o patrimônio.
Exemplos:
- assinatura de contrato ainda não executado;
- contratação de empregado;
- aprovação de orçamento;
- pedido de compra ainda não recebido;
- concessão de aval, dependendo da situação.
Alguns atos podem ser controlados em contas de compensação ou divulgados em notas explicativas.
2.4 Fatos contábeis
São acontecimentos que alteram o patrimônio.
Fato permutativo
Altera elementos patrimoniais, mas não altera o patrimônio líquido.
Exemplo:
Compra de mercadorias à vista:
- aumenta estoque;
- diminui caixa.
Fato modificativo aumentativo
Aumenta o patrimônio líquido.
Exemplo:
Recebimento de receita de prestação de serviços.
Fato modificativo diminutivo
Diminui o patrimônio líquido.
Exemplo:
Pagamento de despesa de aluguel.
Fato misto
Combina efeito permutativo e modificativo.
Exemplo:
Pagamento de obrigação com juros:
- diminui caixa;
- reduz passivo;
- reconhece despesa financeira.
3. Patrimônio líquido, contas e teoria das contas
3.1 Variações no patrimônio líquido
O patrimônio líquido aumenta por:
- receitas;
- ganhos;
- integralização de capital;
- ajustes positivos;
- reversões de perdas.
O patrimônio líquido diminui por:
- despesas;
- perdas;
- distribuição de dividendos;
- prejuízos;
- ajustes negativos;
- ações em tesouraria.
3.2 Contas patrimoniais
Registram elementos do patrimônio:
- ativo;
- passivo;
- patrimônio líquido.
Exemplos:
- Caixa;
- Bancos;
- Estoques;
- Fornecedores;
- Capital Social;
- Reservas de Lucros.
3.3 Contas de resultado
Registram receitas, despesas, ganhos e perdas.
Exemplos:
- Receita de vendas;
- Receita de serviços;
- Despesa de salários;
- Despesa de aluguel;
- Despesa financeira;
- Perda na venda de imobilizado.
As contas de resultado são encerradas ao final do período para apuração do lucro ou prejuízo.
3.4 Natureza das contas
Natureza devedora
Normalmente possuem saldo devedor:
- ativos;
- despesas;
- perdas;
- ações em tesouraria;
- dividendos distribuídos, em determinadas situações.
Natureza credora
Normalmente possuem saldo credor:
- passivos;
- patrimônio líquido;
- receitas;
- ganhos.
3.5 Teorias das contas
As teorias clássicas incluem:
- teoria personalista;
- teoria materialista;
- teoria patrimonialista.
A teoria patrimonialista é a mais utilizada atualmente. Divide as contas em:
- contas patrimoniais;
- contas de resultado.
4. Plano de contas e lançamentos
4.1 Plano de contas
É a relação organizada das contas utilizadas pela entidade.
Um plano de contas deve conter:
- código;
- nome da conta;
- função;
- funcionamento;
- natureza;
- grupo;
- nível hierárquico.
Exemplo simplificado:
1. Ativo
1.1 Ativo Circulante
1.1.1 Caixa
1.1.2 Bancos
1.1.3 Clientes
2. Passivo
2.1 Passivo Circulante
2.1.1 Fornecedores
2.1.2 Salários a pagar
3. Patrimônio Líquido
4. Receitas
5. Despesas
4.2 Método das partidas dobradas
Todo lançamento deve envolver pelo menos uma conta debitada e uma conta creditada.
O total dos débitos deve ser igual ao total dos créditos.
Σ Débitos = Σ Créditos
O método não exige necessariamente apenas duas contas. Um lançamento pode envolver várias contas, desde que o total debitado seja igual ao total creditado.
4.3 Elementos do lançamento
Um lançamento normalmente contém:
- local;
- data;
- conta debitada;
- conta creditada;
- histórico;
- valor.
4.4 Débito e crédito
O débito não significa necessariamente algo negativo, e o crédito não significa necessariamente algo positivo.
Contas de natureza devedora
Aumentam por débito e diminuem por crédito:
Contas de natureza credora
Aumentam por crédito e diminuem por débito:
- passivo;
- patrimônio líquido;
- receitas;
- ganhos.
4.5 Fórmulas de lançamento
Primeira fórmula
Um débito e um crédito.
Exemplo:
D — Caixa
C — Capital Social
Segunda fórmula
Um débito e vários créditos.
Terceira fórmula
Vários débitos e um crédito.
Quarta fórmula
Vários débitos e vários créditos.
4.6 Retificação de lançamento
A correção pode ocorrer por:
Estorno
Inversão integral do lançamento incorreto.
Transferência
Transferência do valor de uma conta incorreta para a conta correta.
Complementação
Registro da diferença que faltou.
Exemplo:
Uma despesa de R$ 1.000 foi registrada como R$ 800. Faz-se lançamento complementar de R$ 200.
5. Livros contábeis, fiscais e balancete
5.1 Livro Diário
Registra os fatos contábeis em ordem cronológica.
Características:
- cronologia;
- individualização dos lançamentos;
- histórico;
- valores;
- identificação das contas.
5.2 Livro Razão
Organiza os lançamentos por conta.
Permite verificar:
- movimentação da conta;
- débitos;
- créditos;
- saldo;
- composição de determinado valor.
O Diário apresenta os fatos em ordem cronológica. O Razão apresenta os fatos por conta.
5.3 Livros fiscais
Dependem da legislação aplicável, mas podem abranger registros de:
- entradas;
- saídas;
- apuração de ICMS;
- inventário;
- serviços prestados;
- serviços tomados;
- controle de créditos tributários.
Atualmente, muitos livros e declarações são entregues em meio digital, como ECD, ECF e EFD.
5.4 Balancete de verificação
É uma relação de contas com seus respectivos saldos devedores e credores.
Sua finalidade é verificar a igualdade entre:
Total dos saldos devedores = Total dos saldos credores
O balancete pode ser elaborado:
- antes ou depois do encerramento;
- com saldos anteriores;
- com movimentação;
- com saldos atuais;
- com contas patrimoniais e de resultado.
O balancete não prova que todos os lançamentos estão corretos. Ele pode apresentar igualdade mesmo com:
- lançamento omitido;
- lançamento em conta errada;
- lançamento invertido;
- lançamento de valor incorreto, mas com débito e crédito iguais.
6. Regimes contábeis e apuração do resultado
6.1 Regime de competência
Receitas e despesas são reconhecidas quando ocorrem, independentemente do recebimento ou pagamento.
Exemplo:
Uma venda realizada em dezembro para recebimento em janeiro pertence ao resultado de dezembro.
6.2 Regime de caixa
Receitas e despesas são reconhecidas quando há recebimento ou pagamento.
É utilizado em determinadas situações, mas não corresponde ao regime geral da contabilidade societária.
6.3 Apuração do resultado
Resultado:
Receitas − Despesas = Lucro ou Prejuízo
As contas de resultado são encerradas ao final do período.
Exemplo:
- Receitas: R$ 100.000;
- Despesas: R$ 70.000;
- Lucro: R$ 30.000.
A apuração normalmente envolve a transferência das contas de receitas e despesas para uma conta transitória de resultado.
7. Balanço patrimonial
O balanço patrimonial demonstra a posição patrimonial e financeira em determinada data.
7.1 Estrutura
Ativo
- Ativo circulante;
- Ativo não circulante;
- realizável a longo prazo;
- investimentos;
- imobilizado;
- intangível.
Passivo
- Passivo circulante;
- Passivo não circulante.
Patrimônio líquido
- capital social;
- reservas;
- ajustes;
- lucros ou prejuízos acumulados;
- ações em tesouraria.
7.2 Circulante e não circulante
Ativo circulante geralmente envolve:
- caixa;
- bancos;
- aplicações de curto prazo;
- clientes;
- estoques;
- créditos realizáveis no ciclo operacional.
Passivo circulante geralmente envolve obrigações exigíveis no ciclo operacional ou até o final do exercício seguinte.
7.3 Equação patrimonial
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
A igualdade deve ser preservada após cada fato contábil.
8. Estoques — CPC 16
O estoque inclui ativos:
- mantidos para venda;
- em processo de produção;
- na forma de materiais a serem consumidos na produção ou prestação de serviços.
8.1 Mensuração
Os estoques devem ser mensurados pelo menor valor entre:
- custo;
- valor realizável líquido.
8.2 Custo dos estoques
Pode incluir:
- preço de compra;
- impostos não recuperáveis;
- fretes;
- seguros;
- custos de transformação;
- outros custos necessários para colocar o estoque no local e condição atuais.
Não devem ser incluídos, em regra:
- desperdícios anormais;
- despesas administrativas sem relação com a produção;
- despesas de venda;
- custos de armazenamento que não sejam necessários ao processo produtivo.
8.3 Valor realizável líquido
É o preço estimado de venda no curso normal dos negócios, deduzido:
- dos custos estimados para conclusão;
- dos custos necessários para realizar a venda.
8.4 Métodos de atribuição de custo
Podem ser utilizados:
- identificação específica;
- primeiro que entra, primeiro que sai — PEPS;
- média ponderada.
O UEPS não é aceito pelas normas contábeis internacionais e brasileiras para demonstrações contábeis.
8.5 Fiscalização de estoques
O fiscal pode comparar:
- estoque inicial;
- compras;
- vendas;
- inventário final;
- notas fiscais;
- entradas declaradas;
- saídas declaradas;
- margem de lucro;
- capacidade de armazenamento.
Fórmula básica:
CMV = Estoque Inicial + Compras − Estoque Final
9. Depreciação, exaustão e ativo imobilizado — CPC 27
9.1 Ativo imobilizado
É o ativo tangível mantido para:
- produção;
- fornecimento de mercadorias ou serviços;
- aluguel;
- uso administrativo;
e utilizado por mais de um período.
Exemplos:
- máquinas;
- veículos;
- edifícios;
- equipamentos;
- instalações.
9.2 Reconhecimento
Um item deve ser reconhecido quando:
- for provável que benefícios econômicos futuros fluirão para a entidade;
- o custo puder ser mensurado confiavelmente.
9.3 Depreciação
É a alocação sistemática do valor depreciável durante a vida útil.
Fórmula simplificada:
Depreciação anual = (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil
A depreciação começa quando o ativo está disponível para uso e termina quando é baixado ou classificado como mantido para venda.
9.4 Exaustão
Aplica-se a recursos naturais sujeitos ao esgotamento, como:
- minas;
- florestas;
- poços;
- jazidas.
9.5 Componentização
Partes relevantes de um ativo com vidas úteis diferentes devem ser depreciadas separadamente.
Exemplo:
Um avião pode ter:
- fuselagem;
- motores;
- equipamentos internos;
com vidas úteis distintas.
10. Redução ao valor recuperável — CPC 01
O teste de impairment verifica se o valor contábil de um ativo supera seu valor recuperável.
10.1 Valor recuperável
É o maior entre:
- valor justo líquido de despesas de venda;
- valor em uso.
10.2 Perda por impairment
Se:
Valor contábil > Valor recuperável
deve ser reconhecida perda por redução ao valor recuperável.
10.3 Indicadores
Podem indicar impairment:
- queda significativa no valor de mercado;
- obsolescência;
- dano físico;
- desempenho inferior ao esperado;
- mudanças tecnológicas;
- perda de mercado;
- aumento das taxas de juros;
- redução da capacidade de gerar caixa.
O ágio por expectativa de rentabilidade futura e ativos intangíveis de vida útil indefinida exigem atenção especial.
11. Ativo intangível e amortização — CPC 04
Ativo intangível é um ativo não monetário identificável sem substância física.
Exemplos:
- software;
- patente;
- licença;
- direito autoral;
- franquia;
- marca adquirida.
11.1 Critérios de reconhecimento
Deve ser:
- identificável;
- controlado pela entidade;
- capaz de gerar benefícios econômicos futuros;
- mensurável com confiabilidade.
11.2 Pesquisa e desenvolvimento
Gastos de pesquisa normalmente são reconhecidos como despesa.
Gastos de desenvolvimento podem ser reconhecidos como ativo quando atendidos os critérios normativos, como viabilidade técnica, intenção e capacidade de concluir e utilizar ou vender o ativo, disponibilidade de recursos e expectativa de benefícios.
11.3 Amortização
Intangível com vida útil definida é amortizado sistematicamente durante sua vida útil.
Intangível com vida útil indefinida não é amortizado, mas deve ser submetido a teste de impairment.
12. Provisões, passivos e ativos contingentes — CPC 25
12.1 Provisão
É um passivo de prazo ou valor incerto.
Uma provisão é reconhecida quando:
1. existe obrigação presente;
2. decorrente de evento passado;
3. é provável saída de recursos;
4. o valor pode ser estimado confiavelmente.
12.2 Passivo contingente
É:
- uma possível obrigação dependente de evento futuro incerto; ou
- uma obrigação presente que não é reconhecida porque a saída de recursos não é provável ou não pode ser mensurada confiavelmente.
Normalmente não é reconhecido, mas pode ser divulgado.
12.3 Ativo contingente
É um possível ativo decorrente de eventos passados, cuja existência depende de eventos futuros incertos.
Não é reconhecido enquanto o ganho não for praticamente certo.
12.4 Probabilidade
- provável: normalmente reconhece provisão, se os demais requisitos forem atendidos;
- possível: normalmente divulga passivo contingente;
- remoto: em regra, não reconhece nem divulga.
13. Demonstração do Resultado do Exercício — DRE
A DRE evidencia o desempenho da entidade durante determinado período.
Estrutura simplificada:
1. Receita bruta;
2. Deduções da receita;
3. Receita líquida;
4. Custo das vendas ou serviços;
5. Lucro bruto;
6. Despesas operacionais;
7. Resultado operacional;
8. Resultado financeiro;
9. Resultado antes dos tributos;
10. Tributos sobre o lucro;
11. Lucro ou prejuízo líquido.
13.1 Receita bruta e receita líquida
A receita bruta pode sofrer deduções, como:
- devoluções;
- abatimentos;
- descontos incondicionais;
- tributos sobre vendas.
Receita líquida = Receita bruta − Deduções
13.2 Lucro bruto
Lucro bruto = Receita líquida − Custo das vendas
13.3 Resultado líquido
Resultado líquido = Receitas − Custos − Despesas − Tributos
A DRE é elaborada pelo regime de competência.
14. DRA, DLPA e DMPL
14.1 Demonstração do Resultado Abrangente — DRA
Evidencia:
- resultado líquido;
- outros resultados abrangentes;
- resultado abrangente total.
Outros resultados abrangentes podem decorrer de determinados ajustes patrimoniais que não passam imediatamente pela DRE.
14.2 DLPA
A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados evidencia:
- saldo inicial;
- ajustes;
- lucro ou prejuízo;
- transferências;
- dividendos;
- absorção de prejuízos;
- saldo final.
14.3 DMPL
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido apresenta todas as movimentações ocorridas no patrimônio líquido.
Pode demonstrar:
- integralização de capital;
- dividendos;
- reservas;
- lucros;
- prejuízos;
- ajustes;
- ações em tesouraria;
- outros resultados abrangentes.
A DMPL é mais completa que a DLPA.
15. Demonstração dos Fluxos de Caixa — DFC
A DFC evidencia entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.
15.1 Atividades operacionais
Relacionadas à atividade principal da entidade.
Exemplos:
- recebimento de clientes;
- pagamento de fornecedores;
- pagamento de salários;
- pagamento de tributos.
15.2 Atividades de investimento
Relacionadas à aquisição e venda de ativos de longo prazo.
Exemplos:
- compra de máquinas;
- venda de imóvel;
- aquisição de investimentos;
- venda de participações.
15.3 Atividades de financiamento
Relacionadas à obtenção e devolução de recursos de proprietários e credores.
Exemplos:
- integralização de capital;
- empréstimos obtidos;
- amortização de financiamentos;
- pagamento de dividendos, conforme classificação aplicável.
15.4 Métodos
A DFC pode ser elaborada pelo:
- método direto;
- método indireto.
O método direto evidencia recebimentos e pagamentos. O método indireto parte do lucro líquido e realiza ajustes.
16. Demonstração do Valor Adicionado — DVA
A DVA evidencia a riqueza criada pela entidade e sua distribuição.
A riqueza pode ser distribuída para:
- empregados;
- governo;
- financiadores;
- acionistas;
- sócios;
- retenção na entidade.
Estrutura simplificada:
Receita − Insumos adquiridos de terceiros − Depreciação = Valor adicionado
Depois, demonstra-se a distribuição entre os participantes.
A DVA é especialmente exigida para companhias abertas.
17. CPC 00 — Estrutura Conceitual
A estrutura conceitual trata dos fundamentos dos relatórios financeiros.
17.1 Objetivo
Fornecer informações úteis para investidores, credores e outros usuários na tomada de decisões sobre fornecimento de recursos.
17.2 Características qualitativas fundamentais
Relevância
A informação tem capacidade de influenciar decisões.
Representação fidedigna
A informação deve ser:
- completa;
- neutra;
- livre de erro material.
17.3 Características de melhoria
- comparabilidade;
- verificabilidade;
- tempestividade;
- compreensibilidade.
17.4 Elementos das demonstrações
- ativo;
- passivo;
- patrimônio líquido;
- receitas;
- despesas.
17.5 Reconhecimento e mensuração
Reconhecimento é a inclusão formal do item nas demonstrações.
Mensuração é a atribuição de valor.
Bases comuns:
- custo histórico;
- valor justo;
- valor em uso;
- valor presente;
- custo corrente.
18. CPC 26 — Apresentação das demonstrações
As demonstrações devem apresentar adequadamente:
- posição financeira;
- desempenho;
- fluxos de caixa;
- informações comparativas;
- políticas contábeis;
- julgamentos relevantes;
- estimativas.
Devem observar:
- continuidade;
- regime de competência;
- materialidade;
- agregação;
- consistência;
- comparabilidade;
- não compensação indevida.
As demonstrações devem apresentar informações do período atual e do período comparativo, salvo disposição específica.
19. CPC 32 — Tributos sobre o lucro
O CPC 32 trata dos tributos incidentes sobre o lucro, especialmente:
19.1 Tributos correntes
São os tributos devidos ou recuperáveis em relação ao lucro tributável do período.
19.2 Tributos diferidos
Decorrem de diferenças temporárias entre:
- base contábil;
- base fiscal.
Podem gerar:
- ativo fiscal diferido;
- passivo fiscal diferido.
19.3 Diferenças temporárias
São diferenças que serão revertidas em períodos futuros.
Exemplos:
- provisão contábil não dedutível imediatamente;
- depreciação contábil diferente da fiscal;
- prejuízo fiscal compensável;
- ajuste a valor justo.
A existência de ativo fiscal diferido exige expectativa de geração de lucros tributáveis futuros, observados os critérios normativos.
20. Contabilidade tributária
A Contabilidade tributária integra contabilidade, legislação fiscal e fiscalização.
20.1 Obrigação principal
É o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária.
20.2 Obrigação acessória
É o dever de prestar informações ou realizar atos no interesse da arrecadação e fiscalização.
Exemplos:
- emissão de nota fiscal;
- escrituração;
- entrega de declarações;
- manutenção de documentos;
- transmissão de arquivos digitais.
20.3 Crédito tributário
O crédito tributário decorre da obrigação tributária e é constituído pelo lançamento.
O lançamento pode ser:
- de ofício;
- por declaração;
- por homologação.
20.4 Fiscalização contábil
O fiscal deve comparar:
- contabilidade;
- documentos fiscais;
- declarações;
- movimentação bancária;
- estoques;
- folha;
- contratos;
- dados de cartões;
- arquivos do SPED.
20.5 Indícios de irregularidade
- receita contábil inferior às notas emitidas;
- estoque incompatível;
- despesas sem documentação;
- empréstimos sem comprovação;
- evolução patrimonial incompatível;
- omissão de receitas;
- créditos fiscais indevidos;
- notas canceladas sem justificativa;
- divergência entre ECD, ECF e EFD.
21. Análise das demonstrações contábeis — ADC
A análise busca interpretar a situação econômica, financeira e patrimonial.
21.1 Análise vertical
Avalia a participação de cada item dentro de um total.
Exemplo:
Estoques ÷ Ativo Total × 100
21.2 Análise horizontal
Compara a evolução de um item ao longo do tempo.
Exemplo:
Receita de 2025 ÷ Receita de 2024
21.3 Liquidez corrente
Ativo Circulante ÷ Passivo Circulante
Indica capacidade de pagamento das obrigações de curto prazo.
21.4 Liquidez seca
(Ativo Circulante − Estoques) ÷ Passivo Circulante
Desconsidera os estoques, que podem possuir menor liquidez.
21.5 Liquidez imediata
Disponibilidades ÷ Passivo Circulante
Considera apenas recursos imediatamente disponíveis.
21.6 Endividamento
Capital de Terceiros ÷ Patrimônio Líquido
Indica a participação de recursos de terceiros em relação aos recursos próprios.
21.7 Margem líquida
Lucro Líquido ÷ Receita Líquida × 100
Indica quanto da receita se transforma em lucro.
21.8 Retorno sobre o patrimônio líquido
Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido Médio
Mede o retorno obtido pelos proprietários.
21.9 Giro do ativo
Receita Líquida ÷ Ativo Médio
Indica quanto de receita é gerado para cada unidade monetária investida no ativo.
Resumo final para concursos
- A Contabilidade é uma ciência social aplicada.
- Seu objeto é o patrimônio.
- O patrimônio é composto por bens, direitos e obrigações.
- Ativo representa aplicações e recursos controlados.
- Passivo representa obrigações.
- Patrimônio Líquido representa recursos próprios.
- Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido.
- Débitos devem ser iguais a créditos.
- Receitas aumentam o patrimônio líquido.
- Despesas reduzem o patrimônio líquido.
- Regime de competência reconhece fatos quando ocorrem.
- O balanço demonstra a posição patrimonial.
- A DRE demonstra o desempenho.
- A DFC demonstra os fluxos de caixa.
- A DVA demonstra a riqueza criada e distribuída.
- Estoques são mensurados pelo menor valor entre custo e valor realizável líquido.
- Depreciação aplica-se a ativos tangíveis com vida útil definida.
- Amortização aplica-se principalmente a intangíveis de vida útil definida.
- Exaustão aplica-se a recursos naturais.
- Provisão exige obrigação presente, provável saída de recursos e estimativa confiável.
- Passivo contingente normalmente não é reconhecido.
- Ativo contingente não é reconhecido enquanto o ganho não for praticamente certo.
- A análise vertical observa composição.
- A análise horizontal observa evolução.
- A fiscalização deve cruzar contabilidade, documentos fiscais, declarações e dados eletrônicos.
As normas oficiais correspondentes incluem NBC TG Estrutura Conceitual, NBC TG 01, 03, 04, 09, 16, 25, 26, 27 e 32, correlatas aos CPC 00, 01, 03, 04, 09, 16, 25, 26, 27 e 32.